soco no estômago – Ágora
De tempos em tempos eu encontro um filme / música / texto / livro que me retorce tanto que me tira o sono e me força a espremer idéias, discutir com alguém, escrever alguma coisa etc. Foi assim com o 1984 do Orwell, com Antes do Pôr do Sol e Antes do Amanhecer e tantos outros. Acabou de acontecer novamente.
Assisti “Ágora”, de Alejandro Amenábar. O filme foi lançado em Cannes, em 2009 e, salvo engano, não chegou aos cinemas brasileiros. O filme é um estrondo visual necessário. Acho mesmo que para falar da Alexandria do final do Império Romano é preciso forma pra segurar o conteúdo. E que conteúdo… Em 391 d.C., Hypatia, uma jovem filósofa, observa os primeiros massacres em nome de Jesus Cristo. Em uma sociedade étnica e religiosamente mesclada (como a nossa), o fanatismo religioso destrói mais que constrói e o livre pensar morre a ponta da espada de “santos” e “mártires”. Lindo, cru, forte, contundente.
Não sei se a minha piração é apenas daqueles que aos poucos se enxergam como um indivíduo religioso que, diferente da maioria esmagadora, se preocupa em não repetir a barbárie que tem o divino como desculpa. Talvez não. Talvez piraria de qualquer forma com a intolerância, com a destruição da fé cega, com a total falta de respeito a tudo que é diferente. Não sei.

Acho que deveriam passar esse filme nas escolas, logo na primeira ou segunda série. Talvez as crianças chorassem e houvesse bem menos mulheres entre os cristãos mas poderíamos, talvez, diminuir um pouco a tosqueira fundamentalista que espreita nas esquinas. Ágora é um soco no estômago, mesmo para aqueles que já conhecem a história de cor. Entrou para o meu hall dos melhores.





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